Borges: poemas sobre o tempo e os labirintos

August 20, 2011 § Leave a comment

[poemas de Jorge Luis Borges]

Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Estás dentro

E o alcácer abarca o universo

E não tem nem anverso nem reverso

Nem externo muro nem secreto centro.

Não esperes que o rigor de teu caminho

Que teimosamente se bifurca em outro,

Que obstinadamente se bifurca em outro,

Tenha fim. É de ferro teu destino

Como teu juiz. Não aguardes a investida

Do touro que é um homem e cuja estranha

Forma plural dá horror à maranha

De interminável pedra entretecida.

Não existe. Nada esperes. Nem sequer

No negro crepúsculo a fera.

O labirinto

Este é o labirinto de Creta. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto.

Heráclito

O segundo crepúsculo.

A noite que mergulha no sono.

A purificação e o esquecimento.

O primeiro crepúsculo.

A manhã que foi a aurora.

O dia que foi a manhã.

O dia numeroso que será a tarde desgastada.

O segundo crepúsculo.

Esse outro hábito do tempo, a noite.

A purificação e o esquecimento.

O primeiro crepúsculo…

A aurora sigilosa e na aurora

a inquietude do grego.

Que trama é esta

do será, do é e do foi.

Que rio é este

pelo qual flui o Ganges?

Que rio é este cuja fonte é inconcebível?

Que rio é este

que arrasta mitologias e espadas?

É inútil que durma.

Corre no sonho, no deserto, num porão.

O rio me arrebata e sou esse rio.

De matéria perecível fui feito, de misterioso tempo.

Talvez o manancial esteja em mim.

Talvez de minha sombra,

fatais e ilusórios, surjam os dias

Elegía de un parque

Se perdió el laberinto. Se perdieron

todos los eucaliptos ordenados,

los toldos del verano y la vigilia

del incesante espejo, repitiendo

cada expresión de cada rostro humano,

cada fugacidad. El detenido

reloj, la entretejida madreselva,

la glorieta, las frívolas estatuas,

el otro lado de la tarde, el trino,

el mirador y el ocio de la fuente

son cosas del pasado. ¿Del pasado?

Si no hubo un principio ni habrá un término,

si nos aguarda una infinita suma

de blancos días y de negras noches,

ya somos el pasado que seremos.

Somos el tiempo, el río indivisible,

somos Uxmal, Cartago y la borrada

muralla del romano y el perdido

parque que conmemoran estos versos.

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da arte indiana

May 18, 2011 § Leave a comment

Pintura em tecido, Tibet [final século XX] – Srid Pa Ho

Pintura do mitológico Buraq [da exibição: Sumatra – Asian Civilisations Museum, Singapura]

Ravi Shankar

Pardhan Gond Art

Sitting Acrobat, por Ganesh Pyne [1972]

[?]

Pintura do Escorpião com cabeça de pássaro, Tibet. Bon Tsakli [séc XIX]

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